PANDEMIA AO QUADRADO: OBESIDADE E COVID-19

Já parou para pensar que a gente está vivendo duas pandemias ao mesmo tempo? 

A COVID-19, com sua invisibilidade, tem exposto a humanidade a impactos devastadores que, em sua grande maioria, são exibidos em números, percentuais, curvas exponenciais de crescimento e tantos outros conceitos matemáticos. É nesse mar de gráficos, projeções, estimativas e incertezas, que a combinação “ao quadrado” surge: recentes notícias apontam para o alto impacto da obesidade em tempos “covidianos”. 

A obesidade no mundo

No mundo hoje são 820 milhões de famintos e um número ainda mais alto de pessoas obesas e com sobrepeso: 830 milhões de pessoas.

Ambas as situações são apontadas como de extrema insegurança alimentar e nutricional, segundo o relatório “The State of Food Security and Nutrition in the World” da ONU e OMS, versão 2019 e caracterizam a “segunda pandemia”: a Globesidade

Difícil constatação… Vivemos sim uma era “covidiana” e “globesa”: a vulnerabilidade da saúde da gente ganha dimensões pandêmicas, elevada ao quadrado. 

A pandemia da COVID-19 e as reflexões que ela desperta

Entre preocupações em excesso, isolamento social e momentos ociosos por força das circunstâncias, impossível não parar e pensar… Será que a gente não se deixou fragilizar além da conta, a ponto de não estar tão preparado quanto poderia para um vírus inesperado? Como temos cuidado da nossa saúde pra que o novo coronavírus nos encontrasse tão indefesos? 

E se isso realmente aconteceu – se não estávamos devidamente preparados, ou pelo menos, mais prevenidos – por que foi assim? Será que podemos pensar que fomos ensinados a adotar e condicionados a praticar um modelo de cuidados com a saúde que não é o ideal?

Claro que existe um componente de não intencionalidade no momento, e não estamos falando do “acaso” do surgimento do coronavírus – e sim da nossa não intencionalidade como indivíduos, como gente que se cuida. Afinal, quantas vezes repetimos comportamentos aprendidos sem pensar? E… quantas vezes nem percebemos que estamos repetindo modelos? Isso é muito, muito humano e natural.

Nossa forma de cuidar da saúde (e onde ela nos leva)

Será que a natural tendência humana de replicar modelos não nos levou, mais uma vez, a tornar invisível o que é visível? Ou teria a obesidade virado um daqueles assunto-tabu sobre os quais simplesmente não queremos falar? 

 

Mas olha, o fato é que precisamos sim falar sobre obesidade, principalmente na era “covidiana”. E a gente acredita que não será diferente nos tempos pós-covidianos:  sim, ainda vamos falar muito sobre a pandemia ao quadrado e os impactos dela em nossas vidas e nossa saúde.

Voltando às conjecturas: se o nosso modelo aprendido e “tradicional”  de cuidado com a saúde nos fez chegar aqui, haveria um outro caminho ou outro destino? As perguntas não param de surgir. 

A boa notícia é que a tecnologia, o acesso à informação e a maneira como nos relacionamos com o mundo hoje abrem uma série de portas para visões diferentes sobre cuidar da saúde. E para questionar a forma como viemos fazendo até agora. Por exemplo: será que estamos cuidando realmente da saúde, ou seria da doença? Será que não estamos restringindo os simbolismos de vida saudável aos preceitos puramente estéticos (e impostos) de beleza e vaidade? 

As perguntas perpassam outras dimensões. Quando foi que deixamos de apreciar o arco-íris de sabores e frescores dos alimentos? E, por que passamos a pensar que dietas difíceis ou ruins e “malhar” são práticas obrigatórias de vida saudável? Que exercícios físicos e treinos são sofrimento e não podem ser prazerosos? 

E o mais importante: será que somos realmente protagonistas no cuidado com a nossa própria saúde? 

A chegada do vírus era imprevisível, mas para tantas outras coisas, a escolha é quase toda nossa. Ser o grande agente da própria transformação é um passo que só você pode dar – e assim começar a mudar o seu mundo e o nosso mundo.

Que tal a gente começar a refletir, reavaliar, desaprender, reaprender e a conversar sobre tudo isso?

 

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